sexta-feira, 17 de agosto de 2012

XXX

Deitar-me sobre este corpo já não posso
Leito desfeito em prantos desencantos
Subterfúgio da memória em desvario
Túmulo que abriga o desprezo vosso
Lembrança açoite com que me suplicio
Palavra calada cortada na garganta
Tecido cingido roto de esperança
Palco infeliz de triste farsanta
Peça encenada de verossimilhança.

Cala-te peito seco sobressaltado
Tudo o que um dia pensa que foi
Hoje e tão somente objeto indeterminado
Como pegadas imprecisas de matutalimoi
Ficou apenas o apetite desejado
Abre as portas coração
Deixa-te invadir pela mansa brisa
Que do mar calmo e sereno desliza
Que aos ouvidos em desalento
No vão e sutil momento
É a mais pura forma de oração.

Despe-te de toda vã vaidade
Desprende das fibras todo sofrimento
Canta num canto novo o momento
Deixa como sol nascer a felicidade
Que em raios iluminam a cidade
Purificando todo triste pensamento.

Abre as portas coração...
Adeus...