sábado, 11 de agosto de 2012

XIV


Aqui, sob esse céu, passaram os homens
Com seus passos lentos,
Admirados com a vida imposta de uma impostura
De ser apenas um mero farfalhar
De asas de borboleta voando numa tarde quente.
Nestes leitos deitaram-se amantes
Desvaneceram-se vidas como nós de sapato
Que se afrouxam sobre a força das circustâncias
E que em lençois alvos deixaram espectros amarelados.
Estas paredes que ouviram sussuros entrelaços
Viram mãos que se procuraram
Enquanto bocas em silêncio lambiam o sal
Escondido em cristalinas gotas fluidas.
 
Ali, uma festa
Acolá o burburinho das gentes
Das saias, dos caminhos evitados
Do espetáculo evidente da força da vida.
O sol espancando as folhas
Que o doce vento sopra
Trazendo um extasiante perfume de amêndoas.
E há a chuva espargindo no ar
O cheiro de terra
Lavando os cabelos da musa
Que se recosta sossegada nos braços amantes
De um carvalho rosa.
 
Uma festa
Meus olhos veem e abrigam visões
Buscam a verdura de outros olhos
Uma maciez de lábios úmidos
Unidos num ósculo mágico
Num balé acrobático de corpos unidos
Que em espamos os olhos contraem
Ao sabor do malho
No calor do talho
Fundidos eternamente em um só bloco
De marmore bruto
Que um artista esculpe.

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