sábado, 11 de agosto de 2012

XII

A saudade
Absurda solidão que me invade
Escancarando as portas
Do coração
Como vento frio
Na alta madrugada
Latidos de cães na rua
Sem multidão
Onde caminha teu vulto
Com alvura fantasmagórica
Abraças-me num abraço insepulto
Levando-me às portas da loucura.

Eu que antes a tinha
De forma terna e intensa
Hoje grito seu nome num lamento
Buscando antiga doçura
Tomo cada letra como alimento
Rasgando a fibra infensa
Que me amarraste à amargura.

Sou eu que caminho
Solitário pelas ruas abandonadas
Procurando nas esquinas
Que nunca viste
O lugar escaninho na neblina
Sua imagem desterrada
Inútil procurar
Pois cada passo andado
Faz-me dobrar à angústia
Deste amor exilado.

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