domingo, 12 de agosto de 2012

XXVII

Saliente o mar desnuda a adolescente
Expondo ao olhar o seio inocente
Alva escultura cravada
Na carne marmórea talhada
Assim exposta perfeita
Obra de arte de oculto desejo
A boca úmida espreita
Quem sabe a intenção do beijo
Abraçando com seus braços a ninfa
Púbere carregada de decência
O mar é o desejo hirto da linfa
E seu amplexo é pura aparência
Por à vista delicado pomo
Apenas para demonstrar sua veemência
Descerrando-o à força de seu domo
Impondo sua vontade intransigente
Ruborizando a branca face da prudência
Diante do tão surpreendente assomo
Mostrar-se ao alheio olhar corrente
É ter mordida a maçã da inocência.

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