Com quantas dobras se faz o tempo...
que permeia todas as coisas...
e faz de mim apenas mais um pequeno instante...
E quem sabe nesse pequeno instante...
quanto momentos dobrados possui
em suas eternas dobras...
Se o que vejo, ouço e sinto
é apenas uma aproximação do que é de fato...
Se apenas me sei através do outro...
onde cada instante pulsa um segundo sentido...
e me ensina que as coisas nunca são como foram...
senão imagem pálida de lembrança...
onde ancoro minha ilusão de vivência...
a vida, como areia na ampulheta...
aponta sempre pra um tempo passado...
e cada grão é como uma pequena fração...
do tempo, das coisas vistas, do mundo vivente...
em mim as dobras do tempo são recortadas...
para surgir o origami do eu...
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