sábado, 11 de agosto de 2012

XXIV

Esta puta me sorri da janela
Que escancara o que foi inocência
O sorriso frenético 
Da boca banguela e sua língua fria
Tocando o úmido
Da verdade imprecisa
Do amor mal feito
Na pressa do dinheiro 
Algema que prende os corpos
Ao contato de mãos
Que deixam rasgos
Como navalha na carne
Essa puta me sorri
Do apartamento de onde vejo
A avenida que leva ao interior
Da janela aberta que é algo
Claustrofóbico que me prende
Com correntes invisíveis
A sentimentos indiferentes
Sem dentes boca me chupa
Sugando a nervura
A alvura
A alma.

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