As coisas guardam segredos esquecidos
Faz parte de mim observá-los
Assim como quando abro um livro
E me pergunto quantos puderam amá-lo
Em que mãos estiveram
Em que estantes segregados
Quem primeiro desvirginou suas folhas
E em gozo puderam deliciá-las
E quem as abandonou por inteiro
Seduzido por outras páginas.
Todas as coisas guardam mistérios
Profundos como os do espaço infinto
Quando como meus olhos os fitam
Em plena noite estrelada
Tentando entender em cada estrela
O oculto de sua mensagem enviada
Num brilho intenso extremo
Percorrendo a madrugada.
Assim são as pessoas e suas vidas
Livros fechados à luz dia
Caminhando entre os seres na estrada
Livros fechados aos meus olhos
Pedindo para serem devassados
O profundo espaço do ser humano
Do humano ser em conflito
Num dia ensolarado
Por que chora aquela mulher?
Por que ri aquele homem?
Que pensamentos guardam esses seres?
O que se oculta em meu espaço?
Eu sou um livro espaço
Esperando alguém que me tocando
Desvirgine minhas páginas
E leia no meu oculto
Suas intimas palavras.
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