sábado, 11 de agosto de 2012

X


Sei que não posso me calar...
mesmo que me fechem a zíper a boca...
aquele sussurro abafado deverá conter
toda inútil revolta contra o ato...
todo ser se define numa existência...
e esperar por outra é querer conter o tempo...
como quem apara com a mão a areia da praia
tendo a vã ilusão de possui-la...
mesmo vendo-a escorrer por entre as frestas da mão...
a vida é uma areia fina que me escorre
de dentro do ser para o mundo em devir...
eu sou a noz secretada na bolota
que conserva o segredo do carvalho...
olhar o fruto é sentir o ser...
é perceber a essência pulsando...
aflita e intensa querendo viver...
não tenho posses pois tenho preguiça de carregá-las...
sempre preferi minhas mãos vazias...
qualquer coisa que me prenda a esse mundo...
me torna um pouco mais escravo...
os objetos do desejo podam as asas da criação...
e voar sempre foi meu maior desejo...
e nesse desejo a liberdade...

Nenhum comentário:

Postar um comentário