sábado, 11 de agosto de 2012

IX


E dentro desta casca outras cascas...
de modo que nunca me vejo...
apenas me sinto como sou...
eu é um outro alhures...
sentado numa praça fumando um cigarro..
num abraço apertado de namorados...
ou num beijo molhado...
eu sou esse objeto que nunca fui...
que nunca fui esse objeto que sou...
nos trezentos espelhos de imagens de espelhos...
eu sou outro...
sou outro eu...
nos trezentos espelhos...
nas vitrines que me veem...
nos olhos que me fitam...
eu sou outro eu...
e tenho certeza de nunca ter sido...
nos objetos que me são alheio...
eu é um outro...

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