sábado, 11 de agosto de 2012

XXII


Tocas me com tuas asas de ninfa
Com se tocasses o veludo do tempo
Áspero e abismal
Como o sonho bipartido da ausência.
Em vão correm as mãos
Tentando desenhar no corpo
Profundas e sutis poesias
Que com precisão
Parará as horas do tempo
Tecendo no espaço linhas Imortais.
A flor úmida oferta
O seu intenso olor
Que beijo qual beija o pássaro
Que com a lingua toca o veludo
E o profundo
Escondido na ilusão do mel.
Quantos segredos disfarçados
Numa tão singela flor
Com a qual me tocas
Com seu aspero veludo
Bipartido e abismal
Que para as horas
E esconde a ilusão
Dos segundos imortais
Tecidas no espaço tempo
Da batida das asas
Do pássaro que beija.

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